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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CEIFEIROS

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Dordio Gomes (1890 – 1976)
Gadanheiro (Ceifeiro)
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CEIFEIROS
Francisco Bugalho
in Poesia, Portugália Editora, Lisboa, 1906
http://castelodevide.blogspot.com/2003/12/sobre-francisco-bugalho.html

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Estes ceifeiros não são
Os ceifeiros do Fialho.
Têm braços, mãos, almas duras,
Têm fogo no coração,
Têm amor ao seu trabalho,
Por ser trabalhar no pão.

Estes ceifeiros não são
Grilhetas, são orgulhosos
De darem, ao mundo, pão;
Porque são eles que o dão
A pobres ou poderosos.

Está hoje vento suão.
Está quente, - oh, gentes! Está quente!
Vamos lá, outro empurrão!
Não vá desgranar-se o grão...
- E a fila marcha prá frente.

Range o restolho cortado,
Pela serrilha da foice,
E aquele mar ondulado,
Que foi lindo mar doirado,
Não tem espiga que baloice.

Quando a gente está afeito,
Quase não sente o calor.
Cortar o pão quer-se feito
Co'a ternura, gosto e jeito
Com que se fala de amor.

A espiga está grada e bela.
O Inverno ainda vem longe.
E, nesta vida singela,
Ter pão é estar à janela
E poder olhar pra longe.

Estes ceifeiros não sabem
Mais que a vida natural.
Mas têm a intuição que cabem,
Às mãos que esta faina acabem,
Dons do sobrenatural.
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CEIFA - A NATUREZA DO TRABALHO

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Dordio Gomes (1890-1976)
"Verão" ou "A Ceifa"
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Fialho de Almeida in Os Ceifeiros in À esquina

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Na verdade, a ceifa é trabalho algo árduo e duro. É preciso ter boa têmpera, estar habituado a supor­tar o calor de brasa que cai do céu de chumbo para aguentar esse trabalho, essa luta heróica do homem com a terra.
Só quem ainda não viu, na hora de maior calma, os ceifeiros, homens e mulheres (que as mulheres também estão afeitas a estas duras lides) curvados sobre a terra, empunhando a foice na mão direita e com a esquerda agarrando os caules de espigas que uma mancheia pode abarcar, caules que corta de um golpe, o mais junto da terra possível, não sabe ava­liar bem a natureza deste trabalho campestre.
Sente-se a luta no estalar dos caules secos e no roçar do trigo pelos corpos em movimento.
Atrás, ao lado uns dos outros, abarcando 3 a 4 regos, lá vão eles deitando por terra o trigo, enquanto outros, os atadores, vão apanhando os pequenos mo­lhinhos que os ceifeiros deixam atrás de si e for­mando com eles molhos grandes que atam com os próprios caules que eles tiram dos molhos já atados e entrelaçam de modo especial junto das espigas.
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