sexta-feira, 27 de novembro de 2009

CANTO DO CEIFEIRO


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Rogério de Carvalho (1915-1988),
Ceifa (anos 30)
http://www.hernanimatos.com/rogeriocarvalho.htm

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CANTO DO CEIFEIRO
Eduardo Valente da Fonseca
in A CIDADE E OS HOMENS E OUTROS POEMAS, Edição do autor, Porto, sem data.
http://www.campo-letras.pt/autores/eduardo_v_fonseca.html

Canta ceifeiro canta,
sob o sol de Agosto, canta,
a terra é tão farta e tanta,
que chega para a tua fome
e cresce para a tua manta,

Canta ceifeiro canta
a charneca e não sossobres.
Espanta o medo e o cansaço,
aguenta mais um pedaço
e canta ceifeiro canta
o heroísmo dos pobres.

Canta ceifeiro canta
o Alentejo todo teu,
canta a charneca em flor,
canta o trigo com suor,
canta a lonjura do céu.
Canta ceifeiro canta
em Serpa. Cuba ou Ermidas,
ia que os braços são pequenos
dêem-se as vozes ao menos
que as vozes serão ouvidas.

Canta ceifeiro canta
canta sempre sem espanto
tudo quanto tanto anseias,
que não vem longe o minuto
do teu suor ser enchuto
e tu seres a própria Paz.
Canta ceifeiro canta
e diz de quanto és capaz,

Canta esses sulcos vermelhos
como as tuas maiores veias,
canta a luta e a tua sede
os azinheiros e o trigo,
canta a carne e o desabrigo
por todo o frio do inverno,
canta a morte dos teus filhos
mais a dos teus companheiros,
canta sempre canta, canta
belas canções de ceifeiro,
que o Alentejo cresceu.
dos teus braços de sobreiro
erguidos ao sol de estio,
e de todo o teu suor
Já do tamanho dum rio.

Canta ceifeiro canta
o Alentejo todo teu,
que nele foi que nasceste
com raízes desde o fundo,
e nele os irmãos da terra
vem sendo há muito ofendidos
nos seus sempre sagrados
e humanos cinco sentidos.

Canta ceifeiro canta
canta com ânsia e bravura
e que o canto que se levante
dê mais força á tua altura.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

HOMENAGEM AO ALENTEJO

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HOMENAGEM AO ALENTEJO
Isaurinda Brissos

http://www.isaurindabrissos...
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Michel Giacometti, nascido na Córsega, licenciado em Letras de Etnografia, lança a âncora em Portugal em 1959. Por cá relaciona-se com o maestro Fernando Lopes Graça, que lhe transmite preciosas informações sobre o património musical português e o encoraja a realizar os seus primeiros trabalhos no norte do País.
Michel Giacometti descobriu Peroguarda através de António Reis, cineasta e poeta Portuense.

http://www.isaurindabrissos.com/peroguarda-michel-giacometti/
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CANTE ALENTEJANO

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Ceifeiros de Cuba
Taberna do Lucas
CUBA - ALENTEJO

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Uma das mais emblemáticas modas do cante alentejano -
género musical característico do Baixo Alentejo - aqui cantada
pelos Ceifeiros de Cuba, na Taberna do Lucas, em Cuba, Alentejo.
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CEIFEIROS

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Dordio Gomes (1890 – 1976)
Gadanheiro (Ceifeiro)
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CEIFEIROS
Francisco Bugalho
in Poesia, Portugália Editora, Lisboa, 1906
http://castelodevide.blogspot.com/2003/12/sobre-francisco-bugalho.html

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Estes ceifeiros não são
Os ceifeiros do Fialho.
Têm braços, mãos, almas duras,
Têm fogo no coração,
Têm amor ao seu trabalho,
Por ser trabalhar no pão.

Estes ceifeiros não são
Grilhetas, são orgulhosos
De darem, ao mundo, pão;
Porque são eles que o dão
A pobres ou poderosos.

Está hoje vento suão.
Está quente, - oh, gentes! Está quente!
Vamos lá, outro empurrão!
Não vá desgranar-se o grão...
- E a fila marcha prá frente.

Range o restolho cortado,
Pela serrilha da foice,
E aquele mar ondulado,
Que foi lindo mar doirado,
Não tem espiga que baloice.

Quando a gente está afeito,
Quase não sente o calor.
Cortar o pão quer-se feito
Co'a ternura, gosto e jeito
Com que se fala de amor.

A espiga está grada e bela.
O Inverno ainda vem longe.
E, nesta vida singela,
Ter pão é estar à janela
E poder olhar pra longe.

Estes ceifeiros não sabem
Mais que a vida natural.
Mas têm a intuição que cabem,
Às mãos que esta faina acabem,
Dons do sobrenatural.
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CEIFA - A NATUREZA DO TRABALHO

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Dordio Gomes (1890-1976)
"Verão" ou "A Ceifa"
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Fialho de Almeida in Os Ceifeiros in À esquina

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Na verdade, a ceifa é trabalho algo árduo e duro. É preciso ter boa têmpera, estar habituado a supor­tar o calor de brasa que cai do céu de chumbo para aguentar esse trabalho, essa luta heróica do homem com a terra.
Só quem ainda não viu, na hora de maior calma, os ceifeiros, homens e mulheres (que as mulheres também estão afeitas a estas duras lides) curvados sobre a terra, empunhando a foice na mão direita e com a esquerda agarrando os caules de espigas que uma mancheia pode abarcar, caules que corta de um golpe, o mais junto da terra possível, não sabe ava­liar bem a natureza deste trabalho campestre.
Sente-se a luta no estalar dos caules secos e no roçar do trigo pelos corpos em movimento.
Atrás, ao lado uns dos outros, abarcando 3 a 4 regos, lá vão eles deitando por terra o trigo, enquanto outros, os atadores, vão apanhando os pequenos mo­lhinhos que os ceifeiros deixam atrás de si e for­mando com eles molhos grandes que atam com os próprios caules que eles tiram dos molhos já atados e entrelaçam de modo especial junto das espigas.
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TRIGO - CANCIONEIRO POPULAR ALENTEJANO

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Mário Costa (n. 1902?), ilustração para
a capa do relatório comemorativo
do XX Aniversário da Campanha do Trigo, 1929-1949,
da Federação Nacional dos Produtores de Trigo (F.N.P.T.). 1949

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TRIGO - CANCIONEIRO POPULAR ALENTEJANO
Recolha de Victor Santos (1959
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Alentejo, rei do trigo,
De arroz, cortiça, montado,
Vinho, olivais – monumentos
Do vasto solo sagrado.

Alentejo é o rincão
Onde há a maior riqueza;
Mas não se resolve, então,
O problema da pobreza?

Pão nosso de cada dia
Pelos pobres repartido…
Bendito o meu Alentejo
Que é celeiro bem provido!

O sol pinta o trigo d’oiro,
Alua, as folhas de prata.
Alentejo és um tesoiro
Que o ceifeiro aos molhos ata.

Ò terras do Alentejo,
Ó terras que eu sempre amei;
Foi ceifando os loiros trigos
Que o meu amor encontrei…

Ai Alentejo, que amuo
o meu por não ser capaz
de ser rico como tu:
para dar o pão que tu dás.

Não há pepita de oiro
que tenha o valor dum grão,
ninguém transforma um tesoiro
em bocadinhos de pão...

Num pequeno grão de trigo
grande magia se encerra;
para o gerar, sol amigo
e água beijando a terra.

Não maldigas o destino
e cumpre a tua missão;
sem o trigo pequenino
ninguém pode fazer pão.

Trigo loiro, sem que o sintas,
limpo dos frutos do mal,
és pão das bocas famintas,
riqueza de Portugal.
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